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segunda-feira, 23 de junho de 2025

SAGA DE MATEUS SIMÕES - DERROCADA DA BOA FÉ

Esta deliciosa história do antepassado dos Simões Pires veio contada pelo primo Flávio Stein Garcia. As famílias vão se ampliando e a história dos descendentes de Nicolau Stein acabam se encontrando com os descendentes de Mateus Simões em dois ramos. Um que ligou João Stein, filho de Nicolau, a casar com Gasparina Pires de Quadros e outro que levou netas de Nicolau a se casarem com meus tios Pires Garcia.

 

Pois olha vivente, vou contar para vocês uma história comprida que vi, ouvi e pesquisei durante este meus quase setenta anos.

Mas bueno! No início dos anos 1700, viviam na Freguesia de São Sebastião - Ilha Terceira do Arquipélago dos Açores, Um índio velho chamado Manoel Simões junto com sua mulher velha de nome Maria da Conceição. As condições econômicas no tal arquipélago vinham se tornando cada vez mais precárias, em virtude da superpopulação. Diz que a colonização do arquipélago se deu devido à abundância de madeira para a  construção de naus oceânicas e dai os portugas mandaram uns índios, diz que até uns tais de degredados para cortar a tal madeira. Mas ocorre que a madeira acabou e o povo teve de se dedicar a agricultura do trigo, feijão e outros, porem logo logo não tinha mais terra para tanta embretando a gurizada pois não tinha mais terra para tanta gente.

Dentro deste aperto nasce o filho deles um taura chamado Mateus Simões, isto em 1724. O piazote foi se criado vendo aquele aperto. Então surgiu promessas da Coroa de emigração para a as novas terras do Brasil, e ele então com 23 anos resolveu se aventurasse juntamente com a irmã Luciana para usufruir destas farturas de terras, mantimentos e perspectivas de progresso. Ora, pois! Logo Mateus que tinha o perfil empreendedor, jovem não ia apaixonasse pela possibilidade de expansão de horizontes?

Se meteu no tal navio cargueiro que vinha lotado que nem sardinha. O tal  navio cargueiro não tinha as mínimas condições para o transporte de migrantes. A viagem, que levou três meses, foi extremamente penosa. A falta de higiene tornava precária a convivência a bordo do navio. Não havia o habito do banho, e no navio não havia água disponível para este fim. Como o pessoal não mudava a roupa, o cheiro a suor e a sujeira acumulavam-se. O local onde dormiam, mesmo sendo diariamente lavado, não chegava a secar, fazendo com que a umidade aumentasse a pestilência do ar. "O transcurso era extremamente penoso. O ambiente no barco era promiscuo, os alimentos eram escassos, a higiene era deficiente, e a água apodrecia poucos dias depois de começada a viagem. A maior parte dos passageiros adoecia: febres, infecções intestinais, pneumonias, crises de fígado, escorbuto. A mortalidade era grande. Os corpos eram jogados ao mar. O escorbuto, ou mal de Luanda, era o que mais estrago gerava, provinha da carência de vitamina C, e era caracterizado por hemorragias".

Chegando à ilha de Santa Catarina, o quadro deprimente, era um contingente de farrapos humanos de jovens, mulheres e crianças. Mateus e a irmã foram inicialmente assentados na Colônia do Sacramento, hoje território uruguaio. Mal chegaram e um tal Dom Miguel Salcedo invadiu e expulsou uns quantos inclusive Mateus que teve de fugiu vindo para  em Rio Grande, sem seus haveres e pertences, tendo deixado lá sua  irmã Luciana que acabou casada e falecida naquela Colônia. 

Esta retirada da Colônia de Sacramento se deu em 1754.  Mateus, com 30 anos, foi novamente reassentado, agora na cidade de Rio Pardo, onde recebeu uma data e mantimentos para reiniciar a vida. 

Em 1757, com 33 anos, casou em Rio Grande (por procuração) com Catarina Inácia da Purificação, de 20 anos de idade, também açoriana e que conhecera em sua estada em Rio Grande. 

Com sua estada em território uruguaio e na cidade de Rio Grande, junto com o fato de o exército ter um quartel em Rio Pardo, vislumbrou a possibilidade de estabelecer comércio com esta unidade militar. Foi o que fez, trazendo estes mantimentos do Uruguai, por carretões até o Rio Grande e embarcados até Rio Pardo. 

O negócio ia prosperando até que quando tinha 41 anos, quando voltava de uma de suas viagens ao Prata, com carretas de suprimentos para sua loja em Rio Pardo teve a má sorte das forças de invasão, por ocasião da tomada da Vila de Rio Grande-(1763), lhe causado o extravio de seus transportes e mercadorias que foram assaltados e roubadas.

Logo a seguir, muito provavelmente por causa deste incidente que devem ter abalado suas finanças, empreende uma viagem à terra natal para buscar haveres relativos a uma herança, tendo sido portador, por parte de patrícios de trazer também haveres oriundos de seus parentes. De retorno da viagem aos Açores trazendo estes dinheiros quando chegava à Ilha de Santa Catarina esta estava sendo invadida e ocupada pelos espanhóis, comandados por Ceballos. Nesta ocasião foi preso, teve seu dinheiro confiscado e como muitos outros, remetido para o Prata, com destino ao Vice-Reino do Chile. Ficou muito tempo em poder cesta gente até que conseguiu, afinal, libertar-se em Montevidéu, possivelmente por suas relações como negociante de suas relações comerciais, se dirigiu a casa de sua irmã na Colônia do Sacramento que lhe providenciou cavalos e um escravo para seu regresso a Rio Pardo, onde o aguardavam angustiado, a família e seus amigos. Porem como tinha perdido cerca de 25.000 escudos, a maior parte dos outros patrícios, agravando-lhe as finanças.

Endividado lançou-se a trabalho arduamente, primeiro com o comércio de mulas para Sorocaba, ele levava a tropa, e lá ouviu da possibilidade de arranjar uma representação com importadores no Rio de Janeiro o que reforçaria seu comércio no Rio Pardo, foi o que fez junto a Antônio Luís Escovar Araújo, conseguindo de imediato devido a seus negócios com o exército e a grandes fazendeiros. Estes fornecimentos eram fazendas e molhados; aguardentes, vinhos e algum pano de linho, miudezas, gêneros do país e de Europa, como cabos, alcatrão, breu, pregos, estopas, linhos, fitas e escravos. 

Bom também não é tudo desgraça, em 1766, nasce seu filho Antônio, nove anos depois do casamento. 

Como existia carência de moeda corrente na colônia era usual o escambo por gado e afins para saldar dívidas, e com isto Mateus se viu possuidor de avultado rebanho de gado sem possuir campos isto levou Mateus em 1768, já com 44 anos, requer e ganhar a sesmaria do Capivari com três léguas de sesmaria cujas razões o um tal de conde de Rezende assim esclareceu:

[...] atendendo a representar-me Mateus Simões Pires, morador do Quartel de Rio Pardo, que vive de seu negócio de fazendas secas o qual tinha porção avultada de animais vacuns e cavalares por ter recebido em pagamento das mesmas, e por não ter onde os prender e criar e do outro lado do rio Tabaquã se acharem um rincão. O processo de seleção desse senhor guiou-se por dois critérios básicos: primeiro, a existência de um número máximo de fontes, ou seja, foi escolhido entre aqueles para os quais conseguimos reunir a maior quantidade e variedade de documentos referentes aos seus cativos. Segundo, a representatividade desse senhor quanto à definição de suas ocupações, de modo a estabelecer certa amostragem entre os maiores plantéis devoluta, nos galhos do Capivari para cuja parte faz frente com as caídas que deságuam nos ditos arroios. O suplicante é casado, e com família, tinha vinte escravos, foi prisioneiro dos espanhóis na ilha de Santa Catarina, donde perdeu vinte e cinco mil Cruzados e estive naqueles domínios bastantes anos, e hoje esta pagando o que naquele tempo perdeu, por ser a maior parte alheia, e para melhor poder acudir ao seu crédito e honra: me pedia lhe mandasse passar uma sesmaria

Quando tinha 49 anos, ano de 1773, constitui sociedade com João Pereira Fortes, nos seguintes termos: Eles, amigavelmente, tinham: 1)-Povoado uma estância chamada de "Guardinha", na qual possuíam animais vacuns e cavalares e cria de bestas muares, com casas e currais; 2)-que da mesma forma possuíam do outro lado do Rio Guaíba (sic) outra estância chamada de "N.Sra. do Rosário"... na qual também possuíam vacuns e cria de mulas; 3)-que também entre ambos possuíam mais seis escravos a saber: Manoel, Vicente, Mateus, Antonio, José e Raimundo; 4)-que da mesma forma possuíam uns campos em que cada um tinha sua casa e roças separadas, em cujo campo tinham entre ambos uma atafona... E que todos os bens expressados, disseram que de hoje em diante ficavam sócios em tudo o que se achasse dentro das ditas duas estâncias, e os escravos declarados e no campo e atafona que declararam, onde eles, sócios, tinham suas casas de vivenda e que, quanto aos  animais que neles se achavam, pertenceria a cada um, os bois de sua marca, como também casas e roças; cada um trabalharia para si com os escravos que cada um ali tivesse seus e que no mais, de hoje em diante, ficavam sendo sócios tanto em ganho como em perdas; 5)-que, outrossim, dos desfrutes de suas fazendas tinham eles feito uma tropa de mulas e potros, que ele sócio, Mateus Simões, presentemente, a ia dispor a São Paulo, a qual também entrava nesta sociedade e por conta de ambos que ia dispor a são Paulo; 6)-que outrossim, seriam sócios em todo e qualquer negócio que da cidade do Rio de Janeiro se fizesse conveniente, tanto em fazendas secas e molhadas, como de escravos que se remetesse para a dita cidade, em tudo seriam sócios, tanto em lucros como em perdas, cuja sociedade faziam pelo tempo de dez anos, que terá princípio de hoje em diante e que todo o aumento e despesas que se tivessem nas ditas estâncias e negócios já declarados, seria por conta de ambos e que nenhum pediria um ao outro remuneração de trabalho dos custeios da dita sociedade, e que quando apartassem, findo o dito tempo, partiriam tudo o que houvesse  pertencente à esta sociedade e, nestes termos, havidos e ajustados me pediram, a mim Tabelião, lhes fizesse este instrumento, nesta nota que lhes li e disseram estar a seu gosto e aceitavam e pediam às Justiças de S.M. lhes fizesse dar inteiro cumprimento..."

A estância do Capivari, com três léguas de sesmaria, estava em sua posse desde 1768, como se depreende do texto de sua carta de sesmaria.
Trata-se da estância denominada "N. Senhora do Rosário” que, como vimos, foi incluída nos bens formadores da sociedade em 1773.

Em 1780, a sociedade adquiriu a sesmaria do "Capão Grande" por compra ao tenente José da Silva Balday e também a da "Boa Vista" comprada a Santos Martins; teve ainda outra sesmaria denominada do "Piqueri".

Em 1782 Antonio Pereira Fortes, filho de João Pereira Fortes, era lindeiro com Mateus Simões Pires na sesmaria da Guardinha e teve com este uma divergência por questão de extensão de propriedade, assunto que foi dirimido pela intervenção do Governador, brigadeiro Marcelino de Figueiredo. 

Em 1783, finda a sociedade entre João Pereira Fortes e Mateus Simões, conforme previa no contrato inicial.

Registre-se que em 1784, João Pereira Fortes teve uma propriedade no Capivari, com uma e meia légua de comprimento por meia de largo, sendo seu confrontante o filho de Mateus Simões, Antonio Simões Pires então com 18 anos. (muito possivelmente ou esta era a sesmaria de São João ou se referia a que ele estivesse gerindo a sesmaria do Capivari).

Em 1790 então com 76 anos, Mateus Simões requereu sesmaria de campos, situados em Bagé, ao Sul do Rio Camaquã, tendo o Dr. José de Saldanha dado seu perfil financeiro nestes termos: "O suplicante, bem estabelecido neste quartel, tem uma estância nos galhos do Capivari que comprou outra no fundo do Rincão de São Sepé (sic), também por ajustes, uma boa chácara perto desta freguesia e grandes casas neste povo..."

Os dois campos de Mateus no Rincão de São João (ou São Sepé) eram as sesmarias da "Aroeira" e a do "Rincão das Timbaúvas", este último medindo três léguas de sesmaria, foi em 1816, transferido como sobras (!) à Inocência Umbelina de Jesus, filha de Antonio Gonçalves Borges, cunhado de Mateus Simões...

Estes novos campos que Mateus Simões requereu por título de sesmaria, foram vendidos em 1794 a Domingos Rodrigues Nunes. Supomos que Mateus já com 70 anos, com o filho Antônio com 28 anos, gerindo o Capivari tornara-se difícil sua conservação.

Em 1819 morre Mateus Simões em Rio Pardo com 95 anos e um ano depois morre sua esposa Catarina Ignácia da Purificação deixando somente dois herdeiros: Vicência Joaquina solteira e Antônio Simões Pires, que já vimos geria a Sesmaria do Capivari desde 1784. No inventário post-mortem, o casal possuía duas estâncias: Capivari e São João, além de um sítio, ambos as propriedades com partes anexas.. Nessas grandes extensões de terra, o casal dedicava se à criação de animais. Possuía 5.698 cabeças de gado, sendo 4.560 reses e bois mansos, 820 eqüinos entre cavalos, éguas, potros e redomões, 218 mulas e 100 ovelhas.

Antônio Simões Pires, (1766 +1856) casou com Maria do Carmo Violante de Vasconcelos tiveram os seguintes filhos por ordem de nascimento: Januário S. Pires; Anna Eulália de Vasconcellos; Antônio S. Pires; Rosa Violante de Vasconcellos; Joaquim S. Pires; Luciana Prudência S. Pires; Gaspar Simões Pires; Vicente de Paula S. Pires; Manoel S. Pires (1792 + 1849); Maria Esméria S. Pires  ;Agueda Francelina S. Pires; Francisca Fortunata S. Pires

Considerando que Antônio já administrava as sesmarias do Capivari e a São João,  e já estivesse com cinqüenta e um anos, e tanto Gaspar como Manoel estivesse com vinte e seis e vinte e três anos respectivamente, imagino que os tenha colocado a frente da gestão destas duas propriedades. As meninas e os outros devem ter permanecido em Rio Pardo e mesmo nas propriedades desfrutando das benesses de serem os filhos de fazendeiros, sendo abastecidas pelos irmãos. Daí a comprarem as partes deles e ficarem com o negócio foi conseqüência.

Partindo desta hipótese de que Gaspar tenha ficado com a sesmaria de São João, situada depois do Cerro Grande em direção a Encruzilhada e de Manoel ter ficado com a do Capivari, seguiremos a descendência de Manoel.

 O casal Manoel S. Pires (1792 +1849) casado c/ Rosa Agueda de Mattos tiveram os seguintes filhos: Catarina Pires Franco; Ignez Carolina (donas da Estância); Emerenciana Marcolina (donas da Estância); Umbelinda (casada com Sérgio Simões Pires); Maria Eulália (casada com Jose Rodrigues); Ana Eulália S. Pires; Antônio Manoel Simões Pires; Israel Simões Pires; Ezequiel S. Pires; Manoel Simões Pires.


Como os primeiros seis filhos eram meninas coube a Antônio Manoel assumir os negócios.


Considerando que na Estância ficaram Emerenciana Marcolina e Ignez Carolina, podemos concluir que era lá a sede da Sesmaria do Capivari, reforçando esta hipótese está o estilo construtivo da casa, como as senzalas e a posição geográfica.


Antônio Manoel Simões Pires casado com Maria Aldina de Mattos teve três filhos: Manoel Ozório Simões Pires; José Carlos S. Pires; Rosa S. Pires

Da mesma forma que a sucessão anterior Manoel Ozório por ser homem e primogênito, assumiu os negócios, tendo deixado os campos da Estância para as tias e construído a casa da Boa Fé.

Manoel Ozório Simões Pires (Vovô Maneco – Fazenda da Boa Fé) casado com Maria Aldina de Mattos – (Ela se negou a morrer, tinha um câncer de seio, para que se completasse a escrituração da fazenda, e assim deixa-se a metade para os filhos, e foram estes campos que herdamos). Tiveram os seguintes filhos: Luiz Gonzaga (marido de Alverina Garcia Pires - tia Yaya – Estância). Esta fração de campo foi herdada por morte das tias; José Maria; Ozório; Álvaro (tio Álvaro); Almerinda (esta é a vovó Doca); Antônio Manoel (Tio Antônio o reprodutor do Capivari); Dalila; Rosa Amabilia (tia Rosa); Natércia (tia Natércia); Maria Ricarda; Helena (tia Donga); Edelmira ( tia Loura); Diva; Carlinda (campos da estância); Jose Carlos; Lacerda

Vovô Maneco já na construção da casa da fazenda mostrava sua soberba e seu gosto pelo desfrute das benesses de um abastado fazendeiro. Dando vazão a seu espírito conquistador, possuía uma amante em cada canto da fazenda. 

Na administração de seus vastos domínios permitia que os agregados desfrutassem a tripa forra dos seus recursos, tendo chegado ao ponto de matarem somente novilhas para seu consumo, retirando os quartos e deixando o resto para os corvos. (eu vi no rodeio, ainda preservado, estas ossamentas).  

Junto a ele juntaram-se muitos aproveitadores como Feliciano do Passo (ou Feliciano Nota Grande) que promoviam Califórnias memoráveis, (Califórnia são reuniões de carreira com duração de uma semana). Nestas festas consumia-se carne, bebidas e outros que tais, por conta de Manoel Ozório. Também o mulherio fervilhava em torno do fazendeiro montado em seu reprodutor Batovi, com seu indefectível pala branco e seus apêros chapeados de prata e ouro.

O reprodutor Batovi foi comprado a peso de ouro do hipódromo dos Moinhos de Vento em Porto Alegre. Era tratado a pão-de-ló, e deu início às Califórnias da Boa Fé. Ocorre que a parceria visando tirar dinheiro de Manoel Ozório arranjava competições em que conseguiam todo o tipo de estratagemas para que o cavalo acabasse perdendo ou tivesse de pagar depósito.

Vovó Morena vendo este quadro, mesmo estando muito doente, com um câncer de seio, já aberto, se negava a morrer sem antes ser concluído o inventário de seu sogro Manoel Simões Pires, assim garantindo, depois de sua morte, o seu quinhão aos filhos. Foi isto que garantiu as terras herdadas por nos.

Morta à esposa que de alguma forma segurava os ímpetos do marido, este aumentou os esbanjamentos e boa vida. Netas altura já estavam incorporados ao lado dele o tio Álvaro e o tio Zeca Garcia. 

Repartida entre os herdeiros a herança de vovó Morena, ficou o vovô Maneco livre para tocar seus haveres sem a crítica dos filhos que sempre estiveram ao lado da mãe.

Com toda aquela imensidão de campos, Manoel Ozório foi convencido pelos parceiros à tira empréstimo ao Bando do Brasil, para plantações e compra de gado, que com o inventário, nesta altura estava rareando pelo mau manejo e esbanjamento. Como se pode imaginar o dinheiro foi gasto em festas e em idéias mágicas. Conseqüência, não houve dinheiro para saldar o empréstimo que foi renovado, com hipoteca da Boa Fé, e novamente não saldado. Na iminência da execução meu avô Timóteo (casado com Almerinda Pires Garcia) se dirigiu a seu sogro, prontificando-se a comprar a fazenda, saldando a dívida e deixando um avultado dinheiro para Manoel Ozório. Aí entraram as figuras de Álvaro e Zeca Garcia, que fecharam questão de que Manoel Ozório não poderia permitir que um genro fosse ficar com tudo. Apesar da insistência de Timóteo o negócio não foi feito e ato contínuo o Banco ficou com a fazenda, sem nada sobrar a Manoel Ozório, que ficou na miséria, (os a ”amigos” sumiram). Como não tinha para onde ir meu avô ofereceu uma casinha que tinha na invernada dos juncos, ali perto de casa, à sombra de um capão de eucaliptos, tendo vivido miseravelmente até sua morte solitária.

E a Boa Fé foi leiloada pelo banco e arrematada pelos Azambuja, que enfim, eram lindeiros.

Nota do Flávio : Esta é a casa da Boa Fé, onde o vô morou antes do ranchão, que fica descendo esta estrada, a uns 300 m. do ranchão até o Passo do Canto fica outros 200 m.


Esta casa era sede da sesmaria de meu bisavô, Manoel Osório Simoes Pires, que  tinha duas sesmarias.



terça-feira, 16 de outubro de 2018

Salvo conduto na Segunda Guerra Mundial


Lembro da minha mãe, Helena , contando que era chamada de "quinta coluna" já que era filha de alemão. Nesta época morava no Rio de Janeiro e já namorava meu pai. As correspondências eram enviadas para Helena Silva, já que o sobrenome Stein, por ser alemão, podia ser censurado.

Mas nunca tinha ouvido falar sobre estes salvo condutos para para alemães e residentes que meu primo, Carlos Eugênio, nos mostrou recentemente. Sua mãe, minha tia, Flávia Stein Garcia que era professora, dependia dele para poder se locomover.   



Salvo Conduto da Flavia Stein Garcia (fornecido pelo Carlos Eugênio Stein Garcia)  

Salvo Conduto da Maria Eugênia Stein Garcia (fornecido pela Íris Garcia) 


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Lembranças de Flávia Stein (Garcia)



Flávia Stein
Notas de : Da. Flávia da Silva Stein é filha de Bartholomeu e Doralice Stein e neta de Nicolau Stein

Em 1924, meu Pai mudou-se da Coxilha de S. Sebastião, hoje Torquato Severo1, onde nascemos: Maria, Tila, e eu, mais dois garotos que morreram pequenos, com poucos meses. Fomos morar nas Três Vendas, município de D. Pedrito, na divisa do Brasil com o Uruguai.

Era um lugar bonito, com vastas planícies onduladas em coxilhas, cobertas de vassoura (sarça). Matos não havia, queimava-se sarça ou coronilha, esterco de gado. Havia carne gorda, queijo, presuntos deliciosos e gajeta – bolacha d’água, dura que se quebrava com martelo e se comia a guisa de pão. O povo era hospitaleiro e amigo de “el doctor”. Lá o Pai trabalhava intensamente – houve naquela época a “bexiga negra” -, terrível epidemia que matou centenas de pessoas.

O Pai ia a lugares de nomes curiosos: Upamaroty, Taquarembó, Corrales, Corrientes e Rivera2. Nas Três Vendas morávamos na chácara do Dr. Cristiano Fischer3, casado com a D. Geraldina e pai da Ricardinha – nós as adorávamos. A chácara era linda – tinha flores e frutas, lá ficava o Vale dos Amores Perfeitos, todo perfume e encantamento. Naquela época havia revolução – as tropas acampavam na nossa chácara, nós íamos pousar muitas vezes na Guarda Uruguai, comandada pelo Capitão Américo Castilho. E me lembro da senhora dele dizendo para o filho: “Hamilton no hace ruído para el doctor”. 


Poesia feita em homenagem à Bartholomeu Stein 
Nessa época moramos também em Porto Alegre na Rua Sebastião Leão, no. 226, casa de propriedade do Pai. Morava conosco o Marcelino Monteiro, que era da confiança do Pai e nos acompanhava desde D. Pedrito.

Das Três Vendas fomos para Cruz Alta, onde morava a Tia Palmira. Lá nasceu a Helena, linda bonequinha loira que encantou a todos.


Pouco ficamos em Cruz Alta, logo fomos para Porto Alegre, deliciosa viagem de trem, em carro leito. Fomos morar na chácara da Tia Julieta, na Rua Guaracy. A chácara era enorme, tinha grande quantidade de árvores frutíferas, ia até a sanga e lá tínhamos até vaca, a Negrucha, que morreu de carbúnculo. O Pai queimou e enterrou a dita, nos explicou que carbúnculo era uma doença muito contagiosa. Anos depois morreu um rapaz de carbúnculo no Hospital de Rio Pardo.

Teresópolis, naquela época era calmo e bonito. Tinha uma lagoa na frente da SPAM4 atual, que ainda não existia. Tinha o Palacete do seu Luciano Junqueira, a chácara do Arcebispo, o Palacete dos Laporta, a chácara do Sr. Ramiro Souto. Já tinha bondes e, lá da chácara, se ouvia o barulho deles no fim da linha.

Nós íamos a pé para o colégio. Íamos de manhã, almoçávamos lá e voltávamos de tarde, com as filhas do seu Otacílio Ferreira. Nossa professora era a Madre Marcela (Irmãs do Sevigné).

Em 1926 fizemos a 1ª. Comunhão, no dia 5 de Setembro.
Helena no colo da mãe Doralice e Julieta (Lia) atrás. Na frente da esquerda para a direita, Flávia, Maria e Tila
No mesmo ano tivemos sarampo. Tila e Helena passaram muito mal, ficaram 9 dias sem fala. O Pai chamou para tratá-las o Dr. Carlos Hofmeister, veio balão de oxigênio, foi uma luta, mas graças a Deus elas se salvaram. Depois, o Pai comprou uma cabrita para elas tomarem leite, gordo e forte. Chamou-se a cabrita de Alfazema e nos acompanhou até o Capivari. Tila e Helena, com o leite forte, nutritivo e saudável ficaram fortes, sadias e molecas...

Quando morávamos na Chacrinha em Porto Alegre, tio Osvaldo, irmão da Mãe, que morou conosco em solteiro, teve pneumonia. Passou muito mal e o Pai ficou à cabeceira dele dia e noite, numa luta bárbara contra a terrível doença. Finalmente conseguiu salvá-lo. Mas a esposa dele, a Tia Elza enlouqueceu para sempre. Ficou 10 anos internada no Hospital S. Pedro, onde veio a falecer.

Foi um tempo de doença na família. O Lauro5, filho da Tia Helena, que cursava o Colégio Militar, teve tifo, naquela época uma doença muito grave, pois não havia antibióticos. O pai tratou com muito amor e com os recursos de que dispunha, conseguindo salvá-lo. Ele passou muito mal, perdeu até o cabelo com a febre muito elevada, era uma doença terrível e muito temida. Quando ele levantou, o Pai levou-o para nossa casa, para fortalecê-lo e curá-lo completamente.

Em fins de 1926, o Pai foi para Minas do Butiá, substituir o Dr. Fernando Ortiz Schneider, que veio defender tese em Porto Alegre. Lá, nós, egressas do Colégio, nos dedicamos de corpo e alma a brincar, foi uma beleza! Meus pais fizeram boas amizades lá. Depois nos mudamos para o Capivari6, em princípios de 1927.

E meu Pai foi exercer sua nobre profissão lá naquele rincão esquecido, nos confins do mundo. E nós, com 365 dias de férias, continuamos a brincar, felizes e satisfeitas, agora já em contato com a bela Natureza. Moramos, inicialmente, na Chacrinha, casa às margens do rio Capivari, quase no Passo Novo. Para nós, crianças, era um vidão: pescarias, banhos no arroio de águas limpinhas e mornas. Depois nos mudamos para a Fazenda da Boa Fé, de propriedade dos Azambuja.

A Boa Fé7 era um casarão enorme, construído em 1881 por Antônio Simões Pires. A casa tinha peças enormes, um grande pátio murado, enormes galpões e mangueiras (para o gado), grandes árvores (umbús). Depois moramos no Ranchão, era um rancho mesmo, paredes de barro, chão batido8, coberto de capim. Tinha uma enorme amoreira e vários pessegueiros e laranjeiras. 


Lá fizemos mudas para a casa nova. A Mãe fez viveiros de eucaliptos e de pessegueiros. A Flávia plantou um pé de pêssego em uma lata. Lá na casa nova o Pai colocou na terra e colhemos muitas frutas, saborosas e sadias!

Do Ranchão, fomos morar na casa que o Pai construiu no Passo do Canto. Era uma casa acolhedora e alegre. Tinha peças amplas e claras e também um belo arvoredo, frutas de todas as qualidades, coradas e cheirosas. Atravessava o arvoredo uma avenida de parreiras, enfeitada de roseiras, tudo muito limpo e cuidado. Logo no fim do parreiral tinha um poço, com 3 metros de profundidade. A gente pulava de um lado para o outro! Uma farra sem tamanho! Nossa casa tinha 4 quartos, a Farmácia, o Consultório, a grande varanda, a cozinha e a área da frente, toda rodeada de trepadeiras e, na frente, o jardim.

Na varanda estava o “etagére9”, onde a Mãe guardava os cristais e as porcelanas finas, a grande mesa de refeições, sempre coberta de fina toalha vermelha, a cadeira de balanço, a talha com água fresca, as colunas com vasos de flores, o grande espelho, tudo muito limpo e arrumado.

Na Farmácia, muitos frascos de remédios, injeções, e grandes vidros de Pastilhas de “Tolu10”, pastilhas para a gripe.

O Pai preparava, ele mesmo, os remédios, auxiliado pela Mãe; faziam poções, xaropes, infusões, pomadas, etc. E tinha ácidos e venenos. Tudo o Pai nos explicava para o que serviam, e quais os perigosos. No Consultório havia a mesa de operações e muitos instrumentos. A mesa era branca, de ferro esmaltada, bacia esmaltada, balde, atadura e um grande vidro de Lisoforme (Líquido de Dakim). Tinha uma janela para a rua e uma porta ligava a Farmácia misteriosa àquela sala de operações.11

Na cozinha, o grande fogão a lenha - branco com flores coloridas – onde se faziam quitutes, bolinhos de milho, o café sempre quentinho e o leite puro. Era quentinha e acolhedora, tinha um banco feito de árvore, coberto com pelego, ali eu me sentava, às vezes quietinha, ouvindo o Pai ler aqueles encantos escondidos nas páginas dos livros de história. Lembro de um livro que amei demais, vivi seus personagens e viajei com eles “Ao Longo do Amazonas 12”. Era um capítulo por dia, feito folhetim!

- Pai, como você deixou coisas boas, plantadas com carinho em nossos corações de menininhas! Ficaram a germinar em terra fértil! Quanta coisa boa nos mostraste, sempre com ar de brinquedo ou com jeito de farra!
Passeio - Menino (?), Bartholomeu, Doralice. menina de boina (?), um dos irmãos Paula Couto (Ruy?), Lia e menina (?)

A vida para nós era um Paraíso, banhos no arroio, onde se via o fundo. Os passeios no mato, a cata de frutas, guabijús, pitangas, coquinhos que podíamos comer a vontade, sem proibições, andávamos de pés descalços a olhar os ninhos de passarinhos e a brincar na chuva ou trepar nas árvores.
Capivari, ano de 1930.

Passo do Canto nos dias atuais
Obs: aqui eu acho que começa o relato de Helena Stein (Leitão)

O Pai sempre nos acompanhava, se não estava ocupado com seus doentes. A Mãe também ia conosco. E tínhamos fartura, carne de porco, toucinho defumado, lingüiça, morcilha, tudo feito com carinho e muito trabalho pelo Pai, pela Mãe e mais um monte de empregados. Isto o Pai tinha sempre! Bastante gente ao redor para servi-lo. Empregados para as lides do campo, empregados para a casa e ama para os filhos pequenos, mais os filhos dos empregados, que brincavam com a gente.
O Pai sempre gostou de casa farta, sacos de açúcar, arroz, feijão e farinha de todo o tipo. Colhíamos frutas fresquinhas e saborosas do nosso pomar que, bem cuidado, logo começou a produzir. As uvas eram perfumadas e as laranjeiras em flor eram uma orgia de abelhas e promessa de fartura.

Ali vivemos nossa infância no meio da natureza, admirando as carroças cheias de laranjas sendo despejadas em um quarto, indo até o teto. A turma fazia vinho de laranja, geléia e o que sobrava ia para adubar a horta. Na horta tinha moranguinhos, tomates, couve, nabo, cenoura, salsa, manjerona, espinafre, etc. Ah! Espinafre, como sofri para prender como engolir, sem o gosto me vir à boca! Lembro que no almoço o Pai fazia o nosso prato, meu e do Claudinho, como ele chamava. Feijão esmagado pacientemente, farinha, arroz e espinafre! O Francisco, um mulato que Pai trouxe de D. Pedrito ainda pequeno, fazia de tudo, era barbeiro, cozinheiro, tocava violão e nos mimava muito. A gente o chamava Chico. Ele cuidava para que nada acontecesse com os filhos do Dr., como ele chamava o Pai. Às vezes, e muitas, escondia do pai as nossas artes. Dizia: Deixa, Dr, que as crianças estão comigo, pode ir tranqüilo! E o Pai ia tranqüilo porque o nosso Chico era um amigo e um cão de guarda!

Nos dava bolinhos de coalhada, queijadinhas e banhos no arroio.

- Ah! vidinha boa, Chico, e tu estavas lá com a gente. Ainda está lá com a Mãe e o Pai, como sempre e estiveste, aos seus pés! Deus te proteja, meu amigo querido!

O pai levava pra gente bem cedinho (as madrugadas eram suas horas prediletas) o leite quentinho, recém tirado da vaca, um “revirado” (arroz e feijão misturados) quentinho, que a Mãe fazia e à noite, um torrão de açúcar mascavo! Às vezes levava umas pílulas, grandes e vermelhas (para vermes) que geralmente a gente cuspia fora, logo que ele ia embora!

Lá ia ele trabalhando, atendendo sua clientela e dando aula para nós, de noite, após a janta (de manhã, se era domingo) e nós progredindo nos estudos. Quando o Pai saía, nós estudávamos sozinhas na Farmácia. Lá o Pai tinha canetas de pena de aço, tinta Sardinha13. Cadernos, nós fazíamos de papel de embrulho e lápis era muito raro. Outras raridades: sabonete, pasta dental, calçados, tecidos, pentes, grampos e balas (estas) nunca!

O pai nos ensinava de tudo, até Francês, Alemão e Latim e nós íamos progredindo nos estudos. Líamos tudo o que aparecesse. Recebíamos jornais, a revista “Echo”, propaganda de laboratório e almanaque do Correio do Povo.


Dr Bartholomeu, Helena, Doralice, Claudio e Vicentina e Filhos

E, nas visitas dos primos do Colégio Militar, não fazíamos feio. Carlos, Adolpho e Ruy, filhos da Tia Julieta, irmã da Mãe, nos visitavam todos os verões. Era uma festa as chegadas dos guris da Tia Julieta, sempre recebidos com alegria e muito carinho por todos nós. Nos meses de verão o Pai organizava passeios a cavalo e os menores iam de carroça. A gente passava dias acampando nos matos, caçando, pescando, vendo e colhendo flores do campo, churasqueando, tocando violão, cantando serestas. Tínhamos muitos cavalos: Estrela, cavalo de montaria do Pai; gateado, pretinho, Baio, Malacara, Pangaré. O Pangaré era chucro e não deixava a gente montar! Tínhamos cabritos, ovelhas, vacas, bois, touro só tinha um e cachorros.
Irmãos Paula Couto em uniforme militar - Carlos, Ruy e Adoplpho

Respeito era o nome do nosso querido cão Pastor. Impunha respeito, daí seu nome, mas era manso e quando deram um tiro nele, nos feriram de morte, também!

O Sultão foi um cachorro que o Sílvio ganhou, era bem pequeno quando foi para a nossa casa, depois ficou grandão. Era branco com manchas castanhas nos lombo e focinho. O Sultão morreu bem velho.

Marcos era nosso peão caseiro, filho da “Sia” Chica, que também trabalhava de doméstica, só que era muita malcriada, mas muito trabalhadeira. Quando não estava “de lua” era boazinha. Usava umas meias compridas brancas e não as tirava nem no verão!

Quando o Marcos ia buscar as cartas, lá no seu Abady, voltava cantando sempre, sempre mais alto ao passar o Passo do Canto. Ele falou que cantava para espantar a “Mula sem Cabeça!” Dava às vezes grandes risadas sem que ninguém soubesse porque! Mais tarde soubemos: sua família fazia grandes e misteriosos roubos, roubavam até do Pai. Tudo sumia misteriosamente: o feijão sequinho, no ponto de colher, os repolhos que o Pai pensava em fazer chucrute, as frutas, etc. Quando descobriram eles foram obrigados a se mudar. Não pelo Pai, é claro que ele não faria isto, apesar de ser o mais prejudicado.

Flavia Stein Garcia aos 23 anos no salvo conduto usado pelos descendentes de alemães durante a segunda guerra mundial 

1 Estação S. Sebastião localiza-se no município de Dom Pedrito, a uns 35 quilômetros de Bagé. Embora o nome da estação férrea seja São Sebastião, a denominação correta da vila é Torquato Severo, que foi veterano da revolução de 93 e nasceu em Dom Pedrito.


2 Todos no Uruguai.


3 O farmacêutico Dr. Christiano Felippe Fischer foi um dos fundadores da Faculdade de Farmácia, de Porto Alegre, em 1895. Esta, logo após, fundiu-se com a de Medicina e deu origem a Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre.


4 Sociedade Portoalegrense de Auxílio aos Necessitados, na Rua Nonoai.


5 Sobre o Lauro Stoll, vim a conhecer sua filha através do Orkut. A Marluce Stoll é médica e mora no Rio.


6 Segundo Tio Cláudio, ele atendeu convite do Sr. Quincas Saraiva, padrinho do mesmo.


7 A Boa Fé, possivelmente seja a estância "N.Sra.do Rosário", localizada na sesmaria do Capivari, como vemos no site A Grande Família: “A sesmaria do Capivari, já vimos, identifica-se com a estância "N.Sra.do Rosário", em Encruzilhada”. Neste site, são tratados pontos importantes da vida de Mateus Simões (nasceu em 1724 na Freguesia de São Sebastião, Ilha Terceira e faleceu com 95 anos de idade, de tifo, em 1819 em Rio Pardo). Embora pouco utilizado este é o nome do Distrito onde se localiza esta estância, avançando rumo a Oeste.


8 Diz a Helena que quando D. Doralice chegou ao Ranchão perguntou : “O senhor está brincando, não é mesmo, Dr. Stein?”Obs: o tratamento era formal entre marido e mulher naquela época.


9 ETAGÉRE: móvel para sala de jantar, com portas e gavetas laterais. Serve também como aparador.



10 Tolu: Árvore leguminosa, da subfamília das papilionáceas. Substância extraída dessa árvore e de emprego medicinal.


11 Nota da Elaine :

Tenho o último livro de registros da Farmácia do Vô Bartolomeu que me foi dado pele tia Flávia quando me formei na UFRGS. É uma preciosidade! Tem os registros das medicações para as filhas, estas sempre com anemia e magrinhas pelo teor do receituário! Tem também anotações sobre os doentes, se morreram, se fizeram cirurgia, quantos pontos levaram, quantos pontos devolveram! Eram pontos metálicos, os "Categut", depois der usados eram devolvidos e os perdidos eram então pagos ao Vô. Os pagamentos tambem eram os mais variados. Dinheiro, carne, galinha, porco, etc..


12 Autor: W. H. G. Kingston, Coleção Terramarear.

13 Tinta Sardinha: Anúncios do final do século 19 diziam que “Acha-se em todas as repartições publicas da corte e diversas províncias. Esta tinta é tão bela e seu traço tão uniforme, que convida o escritor a escrever”.